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Current Medicina Diagnóstico e Tratamento > Capítulo e5: Medicina complementar e alternativa
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 e5: Medicina complementar e alternativa


MEDICINA COMPLEMENTAR E ALTERNATIVA

INTRODUÇÃO
A medicina complementar e alternativa (MCA) é a integração de terapias complementares (terapias de mente-corpo, medicamentos fitoterápicos, suplementos, acupuntura com medicina convencional), mas também é muito mais do que isso. A medicina complementar e alternativa é baseada em evidências e centrada no paciente, e a maior parte de seus princípios fundamentais são compartilhados com a medicina convencional. Ela reconhece a importância da relação com o paciente, encarando-a como elemento terapêutico central; é holística em sua abordagem, avaliando a mente, o corpo, o espírito e as dimensões sociais, comunitárias e ambientais da saúde; enfatiza as práticas de saúde fundamentais, como nutrição, exercício, sono e manejo do estresse; objetiva, acima de tudo, prevenir as enfermidades; reconhece que o ser humano possui capacidade ponderosa, inata e espontânea para cura e identifica e remove obstáculos a esta capacidade natural de cura; escolhe primeiro as terapias mais seguras e incorpora modalidades complementares quando for clinicamente indicado, de maneira que seja segura e sinérgica com as terapias convencionais.

De acordo com um útil sistema de categorização proposto pelos National Institutes of Health (NIH), por intermédio do National Center for Complementary and Alternative Medicine (NCCAM), as terapias complementares podem ser divididas em cinco categorias:


  • 1. Terapias biologicamente embasadas (p. ex., uso de produtos naturais como óleo de peixe, probióticos, medicamentos fitoterápicos).
  • 2. Medicina de mente-corpo (p. ex., biofeedback, meditação, hipnose, imaginação orientada).
  • 3. Medicina manual (p. ex., osteopatia, quiropraxia, massagem terapêutica).
  • 4. Medicina energética (p. ex., Reiki, toque terapêutico).
  • 5. Sistemas integrais (p. ex., medicina tradicional chinesa, medicina ayurvédica, homeopatia).

Algumas das terapias complementares, em especial algumas dos sistemas integrais, existem há milhares de anos e, como sistemas completos, incluem elementos de todas as outras categorias. Por exemplo, a medicina tradicional chinesa utiliza a acupuntura (que pode ser considerada como uma terapia da medicina energética), medicamentos fitoterápicos (terapias embasadas biologicamente), uma técnica de massagem baseada em acupressão conhecida como Tui Na (um exemplo de medicina manual) e Qigong (um exemplo de medicina de mente-corpo).

O uso de MCA é comum nos Estados Unidos. Para manter uma comunicação médico-paciente efetiva e garantir uma prática clínica responsável, é importante que os médicos aprendam a teoria, a prática e as evidências científicas associadas a essas terapias. Este capítulo faz uma revisão de quatro categorias de medicina complementar: medicina fitoterápica, suplementos dietéticos não fitoterápicos, acupuntura e medicina de mente-corpo.


Considerações gerais
Resultados publicados em 2010 a partir do National Health Interview Survey (NHIS), conduzido pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), mostram que 38% dos norte-americanos relataram o uso de alguma forma de MCA nos 12 meses anteriores. As terapias mais utilizadas eram produtos naturais não vitamínicos e não minerais (17,7%), sendo óleo de peixe, glucosamina, equinácea, óleo de linhaça e ginseng os mais comuns; exercícios de respiração profunda (12,7%); meditação (9,4%); manipulação quiroprática ou osteopática (8,6%); massagem (8,3%); e ioga (6,1%). Os problemas mais comuns para os quais os adultos usavam medicina complementar eram semelhantes aos observados na maioria dos consultórios de atenção primária: queixas musculoesqueléticas, como dor nas costas, na nuca e nas articulações. A maioria das pessoas que usam MCA a combinam com medicina convencional porque percebem que a combinação é superior a qualquer uma delas isolada. As pessoas que utilizam medicina complementar são, com maior frequência, mulheres na meia-idade, com escolaridade mais alta e mais de um problema médico. Não foi encontrado anteriormente, como preditor de maior uso de MCA, insatisfação com a medicina convencional. É Interessante observar que os trabalhadores da atenção à saúde possam ter maior probabilidade de usarem pessoalmente as terapias de medicina complementar do que a população em geral.

Apesar dos crescentes números de pacientes buscando MCA, menos de 40% das terapias alternativas utilizadas são reveladas aos médicos. Em uma pesquisa de 1.559 pacientes com 50 anos de idade ou mais, 70% que usavam MCA não tinham informado seu médico. A falta de comunicação pode ser preocupante porque algumas terapias de MCA podem interagir adversamente com tratamentos convencionais.

O levantamento do NHIS também mostrou que o público norte-americano está pagando uma grande quantia por terapias MCA, com uma estimativa de gastos de U$ 36 bilhões, em grande parte embolsados pelo próprio paciente. A MCA responde por cerca de 1,5% dos gastos totais de atenção à saúde e 11,2% do total são de despesas pagas pelo paciente nos EUA. Um número crescente de estudos sugere que a atenção complementar e alternativa pode ser custo-efetiva.

O Institute of Medicine of the National Academies recomendou que “as escolas de profissões da saúde incorporem informações suficientes sobre medicina complementar e alternativa ao currículo padrão em todos os níveis para permitir que os profissionais graduados orientem com competência seus pacientes em relação à MCA”. Em 2010, um estudo com mais de 1.700 estudantes de medicina de metade de todas as escolas de medicina norte-americanas descobriu que 77% dos entrevistados concordavam em alguma medida que os pacientes cujos médicos conheciam MCA além da medicina convencional se beneficiavam mais do que aqueles cujos médicos só estavam familiarizados com a medicina ocidental. Além disso, 49% dos estudantes de medicina que responderam indicaram que tinham usado tratamentos complementares e alternativos para si mesmos. Ademais, 61% dos estudantes de medicina indicaram que seu currículo não tinha dedicado tempo suficiente para educação em MCA.

O órgão governamental líder para pesquisa sobre MCA é o National Center for Complementary and Alternative Medicine (NCCAM). O orçamento do NCCAM para o ano fiscal de 2013 foi de U$ 128 milhões, menos de 0,4% do orçamento total do NHI. Embora algumas modalidades de MCA não sejam facilmente avaliadas usando metodologia de ensaio clínico randomizado, o relatório de 2005 do Institute of Medicine recomenda que tanto os tratamentos convencionais quanto a MCA mantenham padrões similares de segurança e eficácia.


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